sábado, 19 de novembro de 2011

Relatório de Execução do Projeto “Reutilizando Resíduos e Reeducando Hábitos”

Relatório de Execução do Projeto
“Reutilizando Resíduos e Reeducando Hábitos”
            O presente relatório tem a finalidade de informar descritivamente o desenvolvimento do Projeto Reutilizando Resíduos e Reeducando Hábitos, trabalho realizado para a Disciplina de Projeto Interdisciplinar de Ensino Aprendizagem 2 – PIEA 2, sob orientação da Professora Simone Santos de Oliveira que tem o objetivo de promover reflexão e mudança de hábitos a respeito do destino do lixo, de alguns alunos da zona rural de Xapuri.
            Este projeto foi transformado em aula e executado em dois dias, 9 (nove) e 10 (dez) de novembro de dois mil e onze, quarta e quinta–feira, na Escola Nucleada Águas do Acre, localizada dentro de um Pólo Agrofloretal de Assentamento, distante da cidade mais ou menos 20 km em estrada de barro (sem asfalto), percusso esse feito de moto, e o retorno foi a noite.
É importante registrar que essa turma é de Educação de Jovens e Adultos – EJA. São pessoas que trabalham o dia inteiro nas suas pequenas plantações – as mulheres – ou em fazendas próximas – os homens, ‘faça chuva ou faça sol’. São guerreiros, por encararem três horas de aula todos os dias para terminarem seus estudos, ou pelo menos “aprender um pouco mais”. Ah, um detalhe relevante, essa aula é a noite num espaço aberto e por isso, a luz se espalha e torna-se fraca. Veja a Escola.
Preparei antecipadamente uma aula bem atrativa e pude perceber de antemão, que há muita diferença entre fazer um projeto e colocar em prática. Havia esquecido de vários detalhes que na hora de planejar a execução vieram a tona.
Realizei uma acolhida com um poema de Ricardo Azevedo que encontrei e tem tudo a ver, entreguei várias cópias para os alunos fazer a leitura. 
(“Quadrilha da Sujeira” de Ricardo Azevedo, extraído do livro Você Diz que Sabe Muito, Borboleta Sabe Mais, publicado pela Fundação Cargill, disponível em
Cheguei cedo e organizei o ambiente com cadeiras e mesas em círculo, escrevi um ‘boa noite’ no quadro para chamar atenção e recebi os alunos.                  
O professor da turma foi muito atencioso e colaborador, os alunos ficaram à vontade, até porque já nos conhecíamos. Iniciamos a aula com a leitura do poema e uma reflexão sobre o que dizia o texto, se já o conhecia e sobre o que íamos falar. Foi uma discussão boa, pois, compreenderam do que se tratava. Planejei esta ação por entender que hoje em dia a deficiência maior dos estudantes em qualquer modalidade, é a leitura e a escrita, percebi que é mesmo de suma importância desenvolver estratégias nesse sentido.
Logo depois houve uma problematização com os educandos. Através de cartazes foram feitos vários questionamentos e eles iam respondendo oralmente.
  • O que é lixo?  
  • Quem produz lixo?
  • Onde colocamos o lixo da escola?
  • Qual a diferença entre lixo e resíduos sólidos? 
  • Onde é colocado o lixo de nossas casas?  
  • Existe diferença entre o lixo produzido na escola e em casa?
  • O que acontece com o lixo na natureza, na mata, no rio, no ramal? 
  • Quanto tempo cada lixo leva para ser absorvido na natureza?
Como se trata de uma turma de adultos, este é um assunto corriqueiro, no entanto, todos sabem o que é errado fazer, mas é mais cômodo, não dar nenhum trabalho jogar o lixo nosso de cada dia em qualquer barranco. A atividade foi bem discutida, cada aluno fazia questão de responder a todas as questões.
Dessa forma, foram divididos em 3 grupos. O primeiro ia listar os materiais que eram jogados no lixo em casa, o segundo ia listar os lixos da escola e o terceiro ia fazer um cartaz com o tempo de decomposição de materiais, com base nesta pesquisa:
Tempo (aproximado) de decomposição de materiais 

A tabela de tempo de decomposição de materiais é um poderoso instrumento de sensibilização que, invariavelmente, faz as pessoas pensar na sua responsabilidade individual com relação ao lixo. Há, porém, muita variação da informação . Isso se deve ao fato de que o tempo de decomposição deverá variar de acordo com as condições do solo ou ambiente em que os materiais foram descartados. A campanha do Ziraldo, por exemplo, se refere a materiais descartados na água do mar que tem condições de acidez, oxidação entre outras que vão afetar o material diferentemente do descarte no solo. De qualquer maneira esses dados são incontestes no que se refere ao fato de que o lixo continua existindo depois que o jogamos na lixeira e devemos, portanto verificar todas as possibilidades de reintroduzi-lo na cadeia produtiva da reciclagem ou de aumentar o seu ciclo de vida.
    
FONTE:
Campanha 
Ziraldo
Comlurb website
SMA
São Sebastião
DMLU
POA
UNICEF 
website
Material





Casca de banana ou laranja

2 anos
2 a 12 meses


Papel
3 a 6 meses

De 3 meses a vários anos
2 a 4 semanas
3 meses
Papel plastificado

1 a 5 anos



pano
6 meses a 1 ano




Ponta de cigarro
5 anos
10 a 20 anos
De 3 meses a vários anos

1 a 2 anos
Meias de lã

10 a 20 anos



Chiclete
5 anos
5 anos
5 anos

5 anos
Madeira pintada
13 anos



14 anos
Fralda descartável




600 anos
Nylon
Mais de 3 anos



30 anos
Sacos plásticos

30 a 40 anos



Plástico
Mais de 100 anos

Mais de 100 anos
450 anos
450 anos
Metal
Mais de 100 anos
Até 50 anos
10 anos
100 anos

Couro

Até 50 anos



Borracha
Tempo indeterminado




Alumínio

80 a 100 anos
Mais de 1000 anos
200 a 500 anos
200 a 500 anos
Vidro
1 milhão de anos
Indefinido
Mais de 10 mil anos
Indeterminado
4 mil anos
Garrafas plásticas

Indefinido



Longa vida


100 anos


Palito de fósforo


6 meses


 
 














Depois foram as apresentações, onde cada um explicou seu trabalho.
Foi realizado a seguir um ‘namoro’ com as tirinhas, uma produção sobre o que estavam vendo, saíram textos muito bons, realizaram também a leitura.
Para o segundo dia ficou combinado que iam trazer alguns materiais como: latas de sardinha, de conserva, salsicha, sacos, vidros e garrafas pet. Iniciei a aula com algumas figuras para enchê-los de ideias:
É bom registrar que a partir daí aconteceu uma oficina lúdica com apresentação de alguns objetos e construção de outros.
Foi uma experiência muito importante na construção de minha aprendizagem. Vi de um novo jeito a forma de lecionar artes. Tive uma pequena prévia nos estágios, mas agora foi bem diferente, especialmente, devido às especificidades da zona rural.
Maria de Fátima da Silva,
Pólo de Xapuri - Acre

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Quem sou eu

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Xapuri, Acre, Brazil
Sou Fátima, 30 aninhos bem vividos, um lindo filho (Leonardo de 6 aninhos) a quem amo de paixão, amando como nunca amei na vida, trabalhando bastante, super enrolada com diversas tarefas como a coordenação pedagógica da Educação de Jovens e Adultos - EJA - na zona rural, cursando graduação à distância pela UNB - UAB (Artes Visuais), esposa, mãe, dona de casa, filha... Acima de tudo comprometida, otimista, perseverante, um pouco acomodada, enrolada, preocupada, ansiosa...